Escrevi certa vez um post para dizer que o Chico Buarque até é bom, mas tem um problema: é branco. Aliás - sendo rigoroso nas palavras - faz música de brancos. Mas chego à conclusão que o problema não é o Chico Buarque, que até conseguiu incorporar um nadinha do negro que há na música brasileira, o problema é a música de brancos mesmo. Que é como quem diz a música europeia, de origem europeia. E não é só a falta de ritmo, ou a bem-dizer a pobreza dos ritmos. Sim, porque se pode ter ritmos com tempos elevadíssimos e ser de uma pobresa franciscana (vê-se disso a rodos na Pop e no Rock), e ter ritmos com tempos lentos riquíssimos. Mas, sim, a pobreza dos ritmos é um problema importante. E depois vem a melodia, com a fatal tendência para a tonalidade, uma praga que grassa toda a música de brancos desde a (dita) erudita até à (desdita) popular. Aquela mania confrangedora da nota andar a passear para voltar sempre ao mesmo sítio - assim do género:"A-le-crim, A-le-crim a-os mo-lhos...". Isto é particularmente evidente nalgumas musiquinhas de cantautores solitários com a sua guitarrinha, que seguramente aprenderam a dedilhar quando andavam nos escuteiros. Verdade seja dita que alguns têm muita poesia, hélas estamos a falar de música. Se têm boa poesia que publiquem uns livrinhos.
Eu pessoalmente sou fascinado pela música negra, que é como quem diz Africana (como este magnífico exemplo que nos trouxe o Daniel Melo, ali mais abaixo). Mas mais ainda sou fascinado pelas músicas mestiças do Novo Mundo (na qual, se não formos piquinhas com detalhes irrelevantes podemos incluir a música de Cabo Verde). Posso dar alguns exemplos de como essas músicas combinam para além da perfeição ritmos e harmonias (lá está um conceiro importante para compreender a música negra), e eventualmente alguma melodia. O exemplos que escolho dependem do estado de espírito, da fase emocional que atravessa a minha existência, e - sobretudo - do lado para o qual acordo virado de manhã. Pode ser o Dizzy Gillespie, e uma mais ou menos longa dissertação sobre a influência do BeBop no Jazz moderno, e não só. Pode ser um discurso sobre as virtudes do Tropicalismo e do génio musical de Gilberto Gil. Hoje estou mais inclinado para Compay Segundo, e para a música Cubana.
Eu pessoalmente sou fascinado pela música negra, que é como quem diz Africana (como este magnífico exemplo que nos trouxe o Daniel Melo, ali mais abaixo). Mas mais ainda sou fascinado pelas músicas mestiças do Novo Mundo (na qual, se não formos piquinhas com detalhes irrelevantes podemos incluir a música de Cabo Verde). Posso dar alguns exemplos de como essas músicas combinam para além da perfeição ritmos e harmonias (lá está um conceiro importante para compreender a música negra), e eventualmente alguma melodia. O exemplos que escolho dependem do estado de espírito, da fase emocional que atravessa a minha existência, e - sobretudo - do lado para o qual acordo virado de manhã. Pode ser o Dizzy Gillespie, e uma mais ou menos longa dissertação sobre a influência do BeBop no Jazz moderno, e não só. Pode ser um discurso sobre as virtudes do Tropicalismo e do génio musical de Gilberto Gil. Hoje estou mais inclinado para Compay Segundo, e para a música Cubana.
P.S. - Dito isto, ainda estou a tentar digerir um SMS que me enviou um amigo quando escrevi o tal post sobre o Chico Buraque, dizia o SMS simplesmente: "Nao te esqueças que mestiço tambem tem branco".